Lendas e tradições

• O folclore
o reviver do dia-a-dia dos tempos antigos na actualidade 
Os Ranchos Folclóricos são os portadores de toda a nossa riqueza, alguma da qual já esquecida por alguns. O preceito no trajar, o repertório musical, a forma de dançar; com tudo isto, o rancho está a retratar a maneira de ser e viver da nossa região à alguns anos atrás.
Ao som da melodia interpretada por instrumentos típicos e tradicionais da zona, entoam-se quadras, religiosas, amorosas, havendo sempre uma ou duas de mal-dizer.
Para os que pensam que os rancho são todos iguais, após uma análise atenta ao historial de cada um verá que existem grandes diferenças. Mas, um rancho não poderá ser apreciado apenas pela leitura, pois uma exibição em palco vale por muitas palavras.
O resultado final de uma exibição folclórica, apenas se consegue com o esforço e dedicação de todos os membros do rancho, desde os acompanhantes aos dirigentes.
Não poderemos esquecer o trabalho do Rancho Folclórico da Costa, Rancho Folclórico de Maceira, Rancho Folclórico 'As Pinhoeiras' de A-do-Barbas e Rancho Folclórico 'Roda Viva', que atravéz das pesquisas e recolhas que vêm a fazer à alguns anos, contribuem para o acréscimo da nossa riqueza etnográfica.
 
 
• Lenda de Nossa Senhora da Maceira
De tempos recuados terá nascido a ‘Lenda de Nossa Senhora da Maceira’, romance em quadras simples e belas, impregnado de mística religiosa e de maravilhoso popular, muito comuns no Cancioneiro Popular Português. Note-se a temática muito ao gosto do Povo, com personagens que encontramos repetidamente na história religiosa popular: Nossa Senhora, crianças pastoras e elementos da Natureza.
Ao subir daquele ribeiro
que descai na Fonte Fria
uma pastora mocinha
com seu pai, além, vivia.
O rebanho ia pastar
mal o dia se rompia; 
e à hora do sol-posto
o  seu gado recolhia.
Ao voltar ela para casa
à tardinha desse dia, 
no regaço do avental
maçãs frescas escondia.
Nem maçãs, nem outra fruta
nesse tempo ali havia:
era tudo mata agreste
ao redor donde vivia.
- «Que maçãs são essas, filha,
que ninguém ora as teria?»
-«A Senhora é que m’ as deu,
e outras mais, se eu as queria…
Ela vem todas as tardes
mesmo ao pé da Fonte Fria:
fala e reza ali comigo,
é a minha companhia».
- «Minha filha, um tal milagre
Nem por sombra acontecia!
Não será obra do demo
que a tua alma turbaria?»
Estava o pai embaraçado
com aquilo qu’ ele ouvia;
e ali mesmo fez sentido 
de ir lá ver o que seria.
Foi-se pôr, zeloso que era,
à sucapa, de vigia;
e, daquilo que observou,
viu que a filha não mentia.
Viu a imagem da Senhora,
que de branco se vestia,
a estender a mão p’rà filha
com maçãs que l’ oferecia.
Via o pai a santa imagem,
mas ouvi-la, nã n’ ouvia;
ora a filha, inocentinha,
a Senhora em carne via.
- «Venham ver este milagre,
venham todos à porfia;
apareceu além na Fonte 
a Senhora Santa Maria!
‘Stendeu a mão à ‘nha filha,
maçãs traz, maçãs confia:
é a Senhora da Maceira
que nos pede primazia!»
Ajuntou-se então o povo
e no alto um nicho erguia;
foi buscar a santa imagem
e, lá dentro, a metia.
Mas a Senhora, saudosa, 
para a Fonte se fugia,
a falar à pastorinha
e a fazer-le companhia.
Já tornavam a buscá-la,
assubindo a rampa esguia,
já tornava Ela para a Fonte
e lá estava ao outro dia.
Torna o Povo a juntar-se,
tendo à frente a fidalguia;
e alevanta-l’ uma ermida
onde o nicho então havia.
Em luzida procissão
lá vão pôr a imagem pia:
a Senhora, ao ver tal fé,
quis a nova moradia.
Como prova do milagre
lá ficou a Fonte Fria;
e a Senhora da Maceira
deu o nome à freguesia!